Como o nosso cérebro toma decisões?

Dos processos cerebrais, o de tomada de decisão é um dos mais presentes e que mais interferem no cotidiano.

Você é capaz de imaginar o que acontece com o seu cérebro quando está prestes a tomar uma decisão importante? A decisão não é uma simples escolha entre alternativas, mas um processo que depende da experiência do indivíduo e de sua capacidade de identificar os principais fatores da situação. Todas as experiências que acumulamos na vida são registradas e catalogadas por uma região do cérebro, o sistema de recompensas. Essa área se lembra de tudo o que nos deu prazer ou frustração. Esses dados ficam guardados porque podem ser extremamente úteis em certos momentos.

Em tomada de decisões, simples ou complexas, é o sistema nervoso que avalia as alternativas possíveis, geralmente de forma a maximizar os ganhos e minimizar as perdas. Decidir nem sempre é tarefa fácil. No trajeto entre a organização do pensamento e a tomada de decisão, o cérebro percorre muitos caminhos. Tudo o que você decide, vê, sente ou ouve já aconteceu, mas a mente precisa de tempo até processar e transformar a informação em ação.

Para se proteger, o cérebro nem sempre opta pela criatividade quando busca soluções: prefere fazer as conexões que já conhece a ter de enfrentar surpresa com os resultados. E mesmo quando optamos por caminhos novos, temos uma expectativa construída a partir daquilo que conhecemos. Por esse motivo, nossas experiências em tomadas de decisões são tão importantes.

Quando temos que escolher uma alternativa, é necessário abrir mão de muitas outras. Isso gera um sentimento de perda e situações de impasse, cuja resolução é tão difícil que pode ser mais fácil desistir. Ao contrário do que muita gente acredita, ter muitas opções de escolha nos leva a tomar decisões piores – ou não tomar decisão nenhuma. Resolver uma questão rapidamente ou gastar mais tempo em ponderações nem sempre revela uma decisão melhor ou pior. Tudo depende do nível de ansiedade.

O lado emocional na tomada de decisão

O emocional é muito mais determinante que o racional na tomada da decisão. A racionalidade é uma invenção humana para justificar a decisão. As decisões são norteadas por componentes afetivos.

Não existe, portanto, decisão desligada da emoção. Imaginar a possibilidade de sucesso dispara um sentimento de prazer, da mesma forma que pensar em um possível fracasso nos aproxima do desprazer, da perda. A emoção é a ferramenta que a natureza desenvolveu para que o cérebro possa avaliar se a decisão é certa ou errada. A tomada de decisão tem tudo a ver com a avaliação do benefício esperado depois da ação.

As emoções despertam sentimentos de bem-estar, autoconfiança e também de insegurança, estresse ou ansiedade. Essas sensações, apesar de bastante particulares, influenciam diretamente o desenvolvimento dos próximos passos de um plano que, às vezes, pode envolver indiretamente outras pessoas e gerar impactos em grande escala.

Exercitar o autocontrole e interromper situações que inflam os níveis de estresse são fatores importantes para a busca do equilíbrio. Tornar os desfechos das nossas decisões mais tangíveis; ter o máximo de informação a respeito do assunto, de preferência com diferentes perspectivas; e, sempre que possível, restringir o número de caminhos ou opções disponíveis; estas também são soluções para alcançar a estabilidade emocional.

A busca constante pelo autoconhecimento, tanto da mente quanto do corpo, é uma prática que ajuda a aprimorar um olhar mais analítico sobre o estado emocional e lidar melhor com diferentes sentimentos. A Inteligência Emocional, capacidade de reconhecer diferentes emoções e usá-las a seu favor, é uma competência que deve ser priorizada.

Fadiga de decisão

Assim como o cérebro e o corpo são músculos que podem se esgotar com o uso excessivo, o autocontrole e a força de vontade também estão sujeitos à exaustão. Ao tomar decisão após decisão, esgotamos nossa capacidade de controlar nossos impulsos.

Semelhante aos efeitos da falta de sono, a fadiga de decisão leva à falta de inteligência emocional, de habilidades multitarefas, bem como a falta de iniciativa para criar soluções inovadoras para problemas, de avaliar riscos e de prever consequências.

Dar um descanso para seu cérebro permite que ele faça melhores conexões neurais e, consequentemente, você toma melhores decisões. Seu cérebro, inconscientemente, traz à tona fatos novos e conhecidos que você não conseguia acessar quando estava cercado de distrações.

Jogos de tabuleiro

Os jogos de tabuleiro são uma ferramenta essencial no processo de tomada de decisão. Ser capaz de prever eventos fornece tempo para preparar reações, de forma a melhorar as escolhas a fazer no futuro.

A qualidade do processo de tomada de decisão depende da capacidade do cérebro de antecipar cenários, característica presente na estratégia dos jogos. Os jogos também ajudam a raciocinar sobre as próprias decisões e exercitar a introspecção, que pode ser uma boa estratégia para identificar valores e objetivos a curto e longo prazo, ajudando a construir critérios sobre suas necessidades e motivações.

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